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E fez da vida ao fim…

breve intervalo

E fez da vida ao fim…

No tempo do streaming e das playlists ainda há algo especial na nostalgia das mixtapes. Estas não eram apenas uma colecção de músicas, passavam pela expressão de sentimentos e gostos musicais, uma forma de comunicação. Embora nunca tenha trocado mixtapes adorava criá-las, enredar músicas, entrançar estilos e sonoridades, ter uma selecção final pessoal, fosse ela com um género, uma ideia, uma narrativa ou sentimentos. Cheguei a fazê-lo em CD, em pequeno ainda apanhei cassetes e, mais tarde, as playlists; até brinquei mais além e fazia umas edições e misturas no computador. O conceito pressupunha em cada mixtape algo de único. A nostalgia vem não só do acto de selecção, mas também da experiência tangível de criar e compartilhar algo nosso. Era uma forma de curadoria pessoal numa época em que a descoberta de novas músicas dependia de recomendações de amigos, da rádio ou de lojas. Embora as mixtapes tenham sido substituídas pelas playlists digitais, o encanto de uma compilação feita à mão e a emoção de receber uma mixtape de alguém querido ainda permanecem vivos na memória de quem as viveu, evocando uma era em que a música era compartilhada de forma mais íntima.

Sigo assim o conceito dessa memória e inauguro a mixtape oficial aqui do site, playlist travestida de mixtape porque quer-se partilhada com os que por aqui pousam. É homónima do site, "Breve Intervalo", e o primeiro episódio chamei-lhe "Visions of Waiting". Tentarei articular mais sobre cada uma das mixtapes nos posts posteriores. Aqui serei breve pois o post vai longo. Para já em playlist do Youtube, a ver se entretanto defino melhor a plataforma a utilizar. Esta primeira selecção conta com 8 músicas, quis atravessar estilos e tocar não só uma década de música, ir ao cinema, livros e esse mecanismo das esperas, uma forma de solidão. Não revelo as escolhas e a ordem, para não estragar a surpresa. A quem possa ouvir e gostar.

 

Em tempos de pandemia tinha criado um blog (mais um) e cedo ficou ao abandono. Por minha culpa, tão grande culpa, não me articulo entre tudo o que tenho, quero e preciso fazer.

Gostava de prometer em breve intervalo a diferença, conseguir ocupar em mais uma forma esse fez da vida ao fim. Se a voz da Sophia não me protegeu o blog anterior, não será a de Camões que melhor o fará. Se o não somos daqui partiu, este blog já faz jus ao seu título, interrompe-se, e promete ainda falar das férias da semana passada e da minha experiência de leitura com Steinbeck, escritor que me tem surpreendido cada vez mais. Terminei ontem o seu "Chama Devoradora". 

Vou tendo o ócio como desnecessário, cada vez mais se me afigura uma doença que quebra espaço para a utilidade dos espaços vazios. Aos doentes crónicos, aos sofredores de breves surtos, sofre-se dele a quatro patas.

Sobre

21aafb00b84d1f9249b0b9a10481d2f3.pngO blog enquanto página pessoal tem como objectivo trazer um registo da vida que se insurge à correria do dia a dia, intervalos no intervalo. O "breve intervalo" surge como pausa, reflexão e memória do não empregue nos meus cadernos. Ao fim, essa outra vida trivial: a das opiniões, dos passeios, do não se querer esquecer e manter em permanente rascunho.

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